As integrantes da Tigirlz falaram com o Cidade Sorocaba sobre a sua formação, dos desafios que uma banda independente enfrenta e da importância da representatividade feminina no rock.

O mundo do rock, por muito tempo, foi cercado com ideias que iam de encontro aos principais conceitos de todo o movimento: um mundo livre de pensamentos conservadores e preconceituosos. O que antes era visto como um espaço inteiramente masculino, também criou grandes figuras femininas como Stevie Nicks, Dolores O’Riordan, Tina Turner e as meninas do The Runaways, provando que o rock também é uma voz feminina, e por isso, precisamos ouvi-la.

Como herança, foi repassado a segurança, confiança e inclusão para as novas gerações, e hoje grandes artistas mulheres ganharam o seu espaço e ajudam na desconstrução de pensamentos misóginos. A banda itapetiningana, Tigirlz é um dos grupos que, com talento e persistência, agita diversos shows ao som do rock clássico e trazem mais representatividade na região.

Ana e Daphane se apresentando na Passeata do Rock 2018 em Itapetininga-SP

Fundada em 2016, a banda nasceu a partir de um sonho das amigas Ana Luiza Nogueira e Daphane Nadine. Com influências de nomes como The Runaways, elas idealizavam uma banda com apenas integrantes femininas. “No começo precisávamos de uma baterista e de uma baixista. O que levou tempo para encontrar, porque aqui na cidade [Itapetininga] foi difícil de achar”, lembra Ana. Mas felizmente, após um tempo de procura, elas finalmente acharam as suas integrantes e a banda Tigirlz começou a ganhar forma.

Em sua primeira formação, Ana Luiza ficou com o vocal, Daphane na guitarra, Débora na bateria e Débora Kerne no baixo. Depois, foi Verônica Tavares quem assumiu o baixo e passou a tocar em vários shows. Hoje, a banda sofreu algumas mudanças: Daphane e Ana continuam, mas agora Fernanda Munhoz entrou como a segunda guitarrista, Carol Nery como baixista e Sandy Passione como baterista.

Tigirlz em um show de 2017 em Itapetininga-SP

Desde a sua formação, a banda não parou de se apresentar; foram diversos shows realizados na região de Sorocaba nos últimos dois anos.

Sobre a visibilidade, as meninas contam que os seus melhores shows aconteceram esse ano: “(…) tocamos na ExpoAgro de Itapetininga, foi o show com maior estrutura que já tivemos. Enquanto na Passeata do Rock, também desse ano, foi o qual nos apresentamos para o maior número de pessoas”. Apesar de já possuírem um sucesso progressivo, as meninas sonham ainda mais alto e desejam se apresentar em grandes shows e de estenderem suas setlists. “Nosso principal objetivo é incentivar todo o público feminino a fazer rock n’ roll, mostrar que mulher pode fazer o que quiser, inclusive tocar rock. Por isso, não vamos parar”, declaram.

Tigirlz e a sua atual formação

O preconceito nosso de cada dia

Ainda que a banda Tigirlz seja composta por artistas talentosas e de personalidades fortes, as integrantes precisam lidar com um desafio a mais do que se comparado as demais bandas independes: elas são mulheres. “Ser mulher já é sofrer preconceito diariamente e por qualquer motivo”, conta uma delas. “Sempre tem um que diz: ‘mulher não sabe fazer isso, mulher não sabe tocar rock, vocal de mulher pra banda de rock não combina’, então o nosso maior desafio é sempre lutar pelo nosso direito de fazer o que quisermos, mesmo com as críticas”.

O rock é um dos poucos elos que as integrantes têm em comum entre si, pois após algum show ou ensaio, elas largam os seus instrumentos e vão viver suas vidas bem diferentes. Como por exemplo, a baterista Sandy que participa de grupos de igreja e admite que a maior dificuldade que enfrenta são as críticas que ela recebe de algumas pessoas da instituição por ela tocar em uma banda de rock.

Sandy Passione é a baterista da banda.

Apesar dos desafios, as integrantes não se mostram intimidadas com eles. Ao contrário: a união da banda é admirável e totalmente blindada. “Não é por sermos mulheres que não temos capacidade de ser uma banda boa ou que não temos capacidade de tocar. Eu acredito todos os dias que nós somos fortes, que somos uma ótima banda, que temos talento e que somos totalmente capazes de fazer o que qualquer outra banda por aí faz”, declara Ana. “Cada dia é uma luta diferente, mas somos tão unidas que sabemos que ninguém vai poder nos diminuir apenas por sermos mulheres”, finaliza.

A origem

Como inspirações, as meninas admiram grandes nomes do rock como Led Zeppelin, Black Sabbatah e ZZ Top. Mas, apesar dessas bandas terem marcado o início da Tigirlz, o solo de tudo isso foi antes da banda.

Carol Nery é a baixista da banda.

“Eu não fazia ideia da minha habilidade de cantar, descobri na escola em festivais de músicas que participava, mas não levei a sério. Para mim, era apenas uma brincadeira entre amigos. Só com 18 anos que comecei a levar a sério a carreira musical. Eu também tenho um projeto acústico com a Daphane, onde a gente toca em barzinhos. Hoje com 21, não sei o que seria da minha vida sem a música”, declara Ana Luiza.

“Eu comecei a tocar na igreja, sempre gostei de música e quando conheci a banda Tigirlz, me apaixonei ainda mais pela música e conheci um novo estilo para minha vida que é o rock”, conta Sandy.

“Minha vida musical, começou aos 9 anos, quando aprendi a tocar um teclado de brinquedo sozinha e, assim, fui me aprimorando e pegando amor pela música cada vez mais. Já tive várias bandas e hoje também toco em barzinhos com o meu projeto acústico e dou aula de música”, finaliza Carol.

Fernanda Munhoz é a segunda guitarrista da banda.

Apesar das diferenças, é inegável o amor absoluto que elas possuem pela música e, principalmente, pelo gênero do rock. Marcadas pelo talento nato e uma simpatia contagiante, provavelmente veremos muito mais das Tigirlz por aí, que sem se abalar pelas críticas, preconceito e desafios, se mostra uma banda cada vez mais determinada e fiel aos ensinamentos de Joan Jett: “me diga que eu não posso fazer algo e eu farei”.

Próximos shows:
12/08 Weedstock
Itapetininga-SP às 18h
18/08 Rock pela APAE
Angatuba-SP às 22h

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Tigirlz na Passeata do Rock 2018 em Itapetininga-SP