in , , ,

Outubro Rosa: mês de conscientização ao câncer de mama também chama atenção para a doença em felinos

De acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária, as chances de gatos predispostos a desenvolverem o câncer de mama é de 30%

 

07/10/2021 – Compartilhe! Fotos: Divulgação –

O Outubro Rosa é uma data importante para alertar a população sobre o câncer de mama, com diversas campanhas de conscientização que acontecem no Brasil e no mundo. Porém, a doença não é algo que atinge somente os humanos, mas também os animais, incluindo os gatos. De acordo o Conselho Federal de Medicina Veterinária, as chances de felinos adquirirem câncer de mama é de 30%. Além disso, os dados mostram também que cerca de 80% desses tumores são considerados malignos.

A médica veterinária especializada em felinos e proprietária da clínica Gato é Gente Boa, de Itu (SP), Vanessa Zimbres, explica que esse número é preocupante e, por isso, as pessoas precisam se conscientizar em relação à doença, já que um dos principais fatores para o desenvolvimento do câncer de mama em gatas é o uso de anticoncepcional.

“O câncer de mama pode dar tanto em macho como em fêmea, a partir do momento que tem a glândula mamária pode desenvolver o carcinoma. Mas a aplicação de anticoncepcional é de longe a causa mais frequente de câncer em gatas e cadelas”, explica.

Um exemplo disso é o caso da Pipoca, gatinha da Aparecida de Lima. A tutora conta que por medo da gata engravidar fez uso do medicamento e, infelizmente, a Pipoca desenvolveu o câncer de mama, descoberto há cerca de um mês. “Eu sempre passo a mão na barriga das minhas gatinhas e, em uma dessas, eu descobri um carocinho na Pipoca. Os nódulos eram muito pequenos, mas mesmo assim assusta.  Aí começamos aquela batalha dos exames para ver se havia metástase no pulmão e não tinha, os exames estavam perfeitos, então da consulta até a cirurgia foram uns 15 dias”, relata Aparecida.

O Ricardo dos Santos Ferreira, tutor da Nina de 9 anos, também passou por uma situação parecida. A sua gatinha também fez uso de anticoncepcional, mas no caso dela, essa já é a segunda vez que descobrem o câncer de mama. “A primeira vez foi em 2019, quando ela tinha 7 anos. Ao tocar o corpo dela, percebemos que tinha um caroço na região das mamas por baixo da pele. A gente achou que era uma irritação por causa de arranhão de outro gato, mas começou a aumentar de tamanho, levamos para a Vanessa fazer uma avaliação. Ela fez exames, solicitou outros e concluiu que era um câncer”.

O técnico de projetos de rede elétrica conta que na época ele e sua esposa ficaram muito assustados por ser algo novo. Hoje, dois anos após a primeira cirurgia, o tumor surgiu na mesma região e a Nina passou novamente pelo procedimento. “Dessa vez, já não ficamos tão assustados, porque já tínhamos experiência e acabamos aceitando com mais tranquilidade, mas mesmo assim, ficamos preocupados com a recuperação da Nina, porque dessa vez a recuperação seria maior”, explica.

Já o Trevor Luís Lemes, tutor da Luna, conta que o câncer de mama dela foi descoberto em 2017 e optou por fazer uma cirurgia para a retirada do nódulo, mas o procedimento não foi bem sucedido. “Por conta disso, a Luna teve uma doença chamada Rinotraqueíte. No sétimo dia, optamos por trocar ela de clínica e foi aí que conhecemos a doutora Vanessa Zimbres, que até hoje acompanha nossa felina, onde ela ficou por 12 dias internada, tendo que fazer até um procedimento de traqueostomia devido sua dificuldade em respirar, ela se alimentava por sonda no pescoço e emagreceu dois quilos. Por um momento achamos que iriamos perde-la”.

Apesar do susto, depois de muito acompanhamento e exames, a Luna pôde novamente passar por uma cirurgia que aconteceu em setembro deste ano, dessa vez, para a retirada de um lado de todas as mamas. O procedimento ocorreu bem e dentro de alguns dias, acontecerá a remoção do lado oposto. “Esperamos que com a recuperação por completo a Luna tenha uma vida saudável e alegre, que ela possa preencher nossa casa com amor, e que acima de tudo ela não tenha nenhum sofrimento”, conclui Trevor.

Para que erros cirúrgicos como esse não aconteça, o profissional que fará o acompanhamento precisa ter muita cautela e realizar diferentes tipos de exames antes de optar pela cirurgia.

“Precisamos conscientizar as pessoas, porque infelizmente, tem muito clínico que tira só o tumor, não faz uma cirurgia adequada. Primeiro, precisamos certificar de que já não existe metástase, principalmente pulmonar, depois os exames precisam ser feitos e a gente só vai mexer no câncer se não tiver metástase.  É uma contraindicação expressa de cirurgia se houver alguma metástase, tudo precisa ser bem programado”, ressalta a médica veterinária Vanessa Zimbres.

Caso a metástase seja descoberta durante a realização dos exames antes da cirurgia, uma alternativa é a quimioterapia, mas esse tipo de tratamento para o câncer de mama não é tão eficaz, por isso, a prevenção é tão importante. “A quimioterapia é um tratamento paliativo, mas não tem boa resposta, acaba sendo para tentar retardar o crescimento. Então, infelizmente a quimioterapia não vai curar o câncer de mama, o que daria chance de cura é uma cirurgia ampla e precoce”, constata Vanessa.

 

Importância da castração

Além de não fazer uso de anticoncepcionais nas gatas, outro método de prevenção extremamente importante é a castração. De acordo com Vanessa Zimbres, o ideal é que o procedimento seja realizado entre quatro e cinco meses de idade, reduzindo assim, em 91% o risco do animal desenvolver o câncer de mama.

“Além disso, se uma gatinha que tem câncer de mama, por mais que faça tudo certinho, faça uma cirurgia ampla, faça os exames, esse animal precisa ser castrado, porque ele produz hormônios, então, se eu não castrar, deixar aquela produção hormonal, também é um fator predisponente. Então prevenção de câncer de mama é castração precoce e não fazer o uso de anticoncepcional”, esclarece a veterinária.

O que você achou?

Escrito por CidadeSorocaba

Produtos a granel: prático, barato e seguro?

COISA NOSSA: Arroz anã pode ser incluído como Indicação Geográfica no Brasil